Blog
Camila Cenci
Camila Cenci
- Notícias
28 Jan 2026 -

Chardonnay Rosa na AOC Champagne: quando uma mutação antiga reencontra o futuro

O Chardonnay Rosa, aquela pele levemente rosada que já surpreendeu os viticultores no início do século XX,  é uma dessas histórias.
Chardonnay Rosa na AOC Champagne: quando uma mutação antiga reencontra o futuro

Há histórias no vinho que parecem silenciosas, como se estivessem apenas aguardando o momento certo para voltar à cena. O Chardonnay Rosa, aquela pele levemente rosada que já surpreendeu os viticultores no início do século XX,  é uma dessas histórias. Em 2025, a Champagne decidiu trazê-la de volta ao texto oficial da denominação. Não como curiosidade de viveiro, mas como uva principal, lado a lado com Chardonnay (branco), Pinot Noir, Meunier e as históricas Arbane, Petit Meslier, Pinot Blanc e Pinot Gris. Uma mudança que une memória e inteligência agronômica e que, sobretudo, respeita o caráter de Champagne.

A homologação que muda o capítulo (sem mudar a essência)

No dia 12 de junho de 2025, o comitê nacional do INAO aprovou, por unanimidade, a modificação do cahier des charges da AOC Champagne para introduzir o novo cépage e ajustar normas de uso de herbicidas. O processo foi concluído com o arrêté ministerial de 31 de julho de 2025, que homologou oficialmente o caderno de especificações, o documento aparece publicado no Journal Officiel e no Boletim Oficial do Ministério da Agricultura. Em linguagem simples: de papel passado, o Chardonnay Rosa passou a ser legal para plantar e vinificar como Champagne, classificado entre os cépages principaux, e não numa categoria experimental.

Uma mutação de pele, não de alma

O Chardonnay Rosa não nasce de cruzamento moderno: é uma mutação natural de cor do próprio Chardonnay, como ocorre na família Pinot (Blanc, Gris, Noir). A diferença mora na expressão de antocianinas na casca; a polpa continua clara, o que permite prensagem “em branco” e mostos límpidos, como se faz com Pinot Noir e Meunier nos brancos de Champagne. Estudos de catalogação e viveiros (Geisenheim/UC Davis) registram o clone 1-5 Gm, com pele mais espessa e relatos de menor suscetibilidade à botrytis, detalhe nada trivial num clima onde a colheita pode ser fria e úmida.

Do esquecimento aos ensaios: o fio que não se rompeu

Identificado já no início dos anos 1900 em Champagne e na Borgonha, o Chardonnay Rosa sobreviveu em coleções ampelográficas e pequenas parcelas. O primeiro passo contemporâneo para tirá-lo da sombra foi dado em 2018, quando Champagne e Borgonha apoiaram o registro no Catálogo Nacional francês; a partir daí, viveiros puderam multiplicar material certificado, e o setor iniciou ensaios oficiais em Champagne para avaliar comportamento agronômico e potencial enológico. Esse caminho “lento e seguro” explica por que, ao ser aceito em 2025, encontrou um dossiê técnico já consolidado.

Como ele se comporta na taça?

A descrição oficial de Champagne é direta: o Chardonnay Rosa produz vinhos típicos da denominação, muito semelhantes ao Chardonnay branco, por vezes com nuance um pouco mais frutada e mais viva. Em outras palavras, não se trata de “uma nova Champagne”, e sim de uma nova variação dentro da assinatura clássica, algo que amplia a paleta sem quebrar a identidade. Isso ajuda a entender a aceitação branda do setor: é inovação com sotaque de tradição.

Fonte: Diario do Turismo

Gostou do conteúdo? Acesse o meu portal ou ative as notificações das minhas redes sociais!


Blog da Camila